Episódio 04 – Qual a vantagem de ser bilíngue

Neste episódio Marcelo Fernandes e Roberta Maldonado abordam o tema: Qual a vantagem de ser bilíngue? Falamos sobre bilinguismo, transmissão de cultura e dicas de atividades para celebrar o Halloween com seu filho e aprendendo inglês. SIGA O PODCAST no INSTAGRAM : @projetovyl – EMAIL: [email protected]

Episódio 04 – Qual a vantagem de ser bilíngue (transcrição)


Seja muito bem vindo, seja muito bem-vinda ao nosso quarto episódio do Very Young Learners podcast. Aqui, vamos mostrar que é possível ensinar inglês em casa para crianças de 3 a 6 anos de idade. Eu sou Marcelo Fernandes host deste Podcast e aqui comigo está Roberta Maldonado, nossa especialista em educação montessoriana em inglês. Tudo bem com você Roberta?

Roberta: Tudo bem Marcelo? Oi gente! Prazer tá aqui de novo!

Marcelo: No nosso último episódio falamos de formas práticas para introduzir o ensino de inglês em casa para o seu filho ou filha pequena, mostramos como criar um cantinho específico com ajuda da criança e ainda como utilizar a técnica de apresentação de três etapas do método Montessori para ensinar o vocabulário. Nós recebemos alguns comentários positivos sobre as dicas e o da Isabela, mãe do Gabriel de 5 anos, nos deixou muito felizes. Ela já implementou o cantinho de inglês e disse o seguinte para gente (aspas) Vocês estão me mostrando mais uma forma de criar vínculo afetivo com meu filho da maneira mais legal: tornando-o mais independente! Obrigada.

Roberta: Obrigada você, Izabela! Nosso propósito numa frase né?

E é nessa vibe de hashtag gratidão pela sua audiência que a gente começa mais um episódio do Very Young Learners podcast. Roberta como eu já comentei aqui antes, eu estou sempre pesquisando na internet sites e artigos sobre ensino para crianças pequenas e eles sempre sugerem ou ver desenhos animados ou encontrar músicas em inglês na internet. Aí eu pergunto isso só é o suficiente como ensinar inglês para meu filho pequeno?

Roberta: Essa é uma pergunta que muitos pais já me fizeram, Marcelo. Eu disse para vários deles começarem com vídeos do YouTube – super Simple Songs é o que eu sempre recomendo por serem muito bem feitos. Cante com a criança as músicas que ela escolher. Certamente só isso não é suficiente para que seu filho fale em inglês. Se os adultos envolvidos ou são iniciantes completos em inglês ou não se sentem aptos a ensinar e não tem uma assistência nesse processo-por sinal que estamos criando aqui nesse canal- colocar vídeos para criança é melhor do que não fazer nada. Já cantar com a criança é ótimo, tá? Se a música não tiver uma coreografia crie uma coreografia que ajuda a criança a desvendar a mensagem da música e associar a música as palavras. Quanto mais simples melhor, tá? Não precisa complicar. A criança costuma ter ótimas ideias. Então você acata todas as ideias e manda brasa! Por exemplo, tem uma que eu uso nas minhas aulas com os de 3 aninhos que faz mais sucesso. Eles começam sentadinhos,com as mãozinhas estendidas e as perninhas cruzadas no caso, né? Aí eu canto ou Open Shut them a gente segue as ações da música abrindo e fechando as mãos, batendo palminhas e colocando as mãos no colo, ou seja numa única música eles aprendem vários verbos. Vocês em casa podem testar: as crianças costumam sair cantarolando sozinhas, é o maior barato!

Marcelo: eu também vi recomendações para que os pais ou mães falem em inglês com as crianças desde cedo. O que você acha desta sugestão?

Roberta: Se a sua primeira língua não é o inglês é provável que você não se sinta 100% confortável falando só em inglês com a pessoa mais importante da sua vida, né? Isso porque a nossa identidade está intimamente relacionada a língua que falamos e as pessoas tendem a se sentir mais confortáveis para falar de suas emoções na sua língua materna. Por isso você precisa analisar bem para tomar essa decisão: eu vou ficar confortável falando só em inglês com meu filho? Eu vou ter consistência uma vez tomar essa decisão? Porque o fator é a transmissão de cultura na língua, não é só um código, é um legado. O seu sotaque falando português, o tom de voz que você usa, as palavras que você escolhe, o volume da sua voz , tudo tem uma carga emocional muito forte e fazem parte de quem você é. Você acha importante dar ao seu filho acesso a esse legado? Isso é uma decisão pessoal sua e deve ser levada muito a sério.

Marcelo: Você está falando sobre transmissão de Cultura. Quando a gente ensina inglês para as crianças em casa ou quando você vai ensinar inglês para alguém é  importante também ensinar sobre a cultura das pessoas que falam inglês, correto? O que que você acha disso?

Roberta: Eu acho importante sim mas no caso das crianças não é nem preciso que você se preocupe com isso porque isso vai acontecer naturalmente. Essa musiquinha que eu cantei por exemplo é uma cantiga de roda nos Estados Unidos. Celebrar o dia das bruxas é uma tradição deles e pode fazer parte da sua sessões em casa. Mesmo por que criança ama se fantasiar, né? E as músicas, as histórias que nós vamos usar para em inglês para as nossas crianças são as mesmas que os pais na Inglaterra, os americanos, australianos, neozelandeses usam com seus filhos em casa. Mas esses livros vêm permeados de valores, tá? Eu sempre busco para os meus alunos histórias e letras que mostram o respeito pelas pessoas e diferenças, amor pela natureza e os pais devem sempre buscar materiais que reflitam os valores da sua família. Agora, na minha experiência, quanto mais acesso a outras culturas, mais respeito pelo outro e mais gratidão pela sua a criança tem né? E é um pilar da filosofia montessoriana: educação para a paz que mostra para criança que, mais do que ser brasileiro, chinês ou italiano, ela é cidadã do planeta Terra.

Marcelo: Às vezes eu acho que existe uma admiração um pouco exagerada por tudo que é de fora, né? Que é a famosa síndrome de vira-lata. Você não acha que ensinando inglês para as crianças nós não estamos desvalorizando o que é nosso?

Roberta: De jeito nenhum. Pelo contrário estamos promovendo a desmistificação desse “tudo que é de fora é melhor” porque só com o domínio da língua  você tem acesso direto ao que é produzido lá, não é? Aos livros, documentários, aos cursos, só assim você pode fazer uma leitura crítica dos produtos e dos valores que eles exportam e pode decidir o que quer consumir, o que não quer. No mundo que vivemos hoje, o inglês é a língua franca, não tem para onde correr. Não é o Mandarim é a língua do futuro? Olha, na China já são mais falantes do que juntando todos os falantes nativos do mundo! Falar inglês é, e pelo jeito vai seguir sendo, um super diferencial na vida profissional e intelectual das pessoas. Aliás, bilinguismo, não é exceção, tá, é regra! Nós brasileiros, não mantivemos nossas línguas nativas nas cidades com a invasão Portuguesa e isso criou uma nação oficialmente monolíngue. O que não acontece na maioria das nações do mundo. Isso tem um impacto grande na educação e na cultura e até, eu diria, na predisposição das pessoas para aprender outras línguas…e isso apesar de ser matéria obrigatória nas escolas, hein?! Agora, você sabe a porcentagem de brasileiros que falam inglês no Brasil, Marcelo?

Marcelo: Imagino que seja muito baixa.

Roberta: Pois é. De acordo com o levantamento feito pelo British Council, só 5% da população brasileira sabe se comunicar em inglês (mais ou menos 10 milhões e meio de pessoas em um país de 210 milhões) e desses, apenas 1% apresenta algum grau de fluência. Brasil é o quadragésimo primeiro colocado no ranking de 70 países ficando abaixo do Equador, do Chile e do Peru, do México e da Turquia, da Indonésia, do Vietnã, entre outros.Os três primeiros acho que não vai ser surpresa para ninguém: são a Holanda, a Dinamarca, a Suécia.

Marcelo: Fala-se muito da importância e dos benefícios cognitivos de aprender novos idiomas. Quais são esses benefícios?

Roberta:Pois é.Além desses benefícios sociais e profissionais de falar inglês, tem outros que afetam a vida de forma ainda mais profunda. Desde que o scan cerebral foi inventado, desde que começamos a ser capazes de registrar a atividade do cérebro em tempo real, vários estudos comparando bilíngues com não bilíngues de várias idades foram feitos comparando a atividade do cérebro dessas pessoas de diferentes formas. Os resultados tem sido muito convincentes. E isso indiferentemente a segunda língua falada, inglês ou espanhol. Qualquer que seja. Tudo indica que pessoas que falam mais de uma língua desenvolve melhor suas habilidades multitarefa, tem melhor memória, tomam decisões mais rapidamente e tem uma observação mais aguçada. Agora eu estou resumindo a grosso modo aqui para você, tá? Mas por favor vejam por vocês mesmos. Tem vários desses estudos disponíveis na internet e são todos universidades respeitadas e alguns da academia americana de Neurologia. Ah, mas tem o benefício que eu não citei que eu acho que vai ser o “deal breaker”que  vai te dar a motivação que faltava para voltar a estudar e para ensinar inglês para o seu filho. E que os riscos de demência incluindo Alzheimer diminui  consideravelmente, somente se você fala uma segunda língua, tá? Para adultos que só falam uma língua a idade média para os primeiros sinais de demência começarem a se manifestar é de 71 anos. Já entre adultos que falam duas ou mais línguas os sintomas só começam a aparecer aos 75 anos 75,5. As pesquisas também consideraram fatores como escolaridade, nível de renda, sexo e saúde física. Esses aspectos não alteram os resultados. O determinante aí foi a segunda língua. Aprender uma segunda língua é um exercício poderoso para o seu cérebro e os benefícios vão muito além do que se imaginava.

Marcelo: uma dúvida de um pai, o Vinícius, que talvez seja a de muitos outros pais: ele está pensando em se mudar para o exterior. Fazer um intercâmbio por um ano com a família e com dois filhos, ele pergunta: qual que é o mínimo (idade)para uma criança aproveitar realmente essa viagem?Que ele pode matricular a criança numa escola e ela vai começar a ter um certo grau de entendimento do inglês… que realmente ela vá aprender? Qual é a idade mínima para isso?

Roberta: Obrigada Vinícius pela pergunta… super enriquecedora a experiência de passar um ano fora com os filhos. Olha, eu recomendaria que vocês fossem quando a mais nova completar 3 aninhos no caso. Se o seu mais velho tiver com 5 essa diferença  de 2 anos, não sei… mas se o mais novo tiver três dessa forma eles todos vão ter idade para frequentar uma creche não é? Uma escolinha e também já serão capazes de se comunicar com vocês em português, para contar a experiência. Eu também recomendaria começar com atividades em casa assim que o seu primeiro filho ou filha completar 3 anos. Porque assim vai ser ainda mais fácil, mais suave essa adaptação do novo país.

Marcelo: Que atividade você tem essa semana para aqueles pais que já estão movimentando o cantinho do inglês?

Roberta: essa semana é Halloween. Eu sugiro apresentação de vocabulário seguindo a aula de três períodos de Montessori com três palavras parecidas mas que tem som iniciais muito distintos e que são relacionadas a Halloween: Hat, Bat e Cat. Para confeccionar os flashcards, basta cortar uma folha de A4 em 4 partes iguais. De preferência um papel mais espesso. Agora é  desenhar com uma canetinha hidrocor ou giz de cera preto a silhueta de um chapéu de bruxa no cartão, a silhueta de um gato no outro e a de um morcego no terceiro. Aí você vai usar aquelas técnicas que eu mostrei para vocês no último episódio, o episódio 3, se você ainda não ouviu vai lá que é importante que você entenda como funciona essa aula de três períodos. Você vai apresentar esse vocabulário usando essa aula para o seu filho. Uma maneira de tornar essa atividade ainda mais divertida é preparar três outros flashcards com as mesmas figuras, mas dessa vez coloridas. E uma vez concluídas as três etapas da apresentação, como eu já disse, você coloca esses três flashcards de silhuetas no tapetinho. Se essa atividade for um sucesso você não tá criança ainda quer continuar você pode virar os seis flashcards com a figura para baixo e jogar o jogo da memória seis cartões, você vai virar o primeiro, vai falar o nome daquele item, vamos dizer Cat, vai virar o segundo…se for o outro Cat você vai falar match!, o que quer dizer combinação perfeita. Se não for você vai falar Not a match aqui aí você fala de uma maneira mais autêntica né? Volta os dois para posição inicial e fale, mostre para criança que é a vez dela. Se ainda tiver tempo, vocês podem confeccionar uma máscara morcego, tá? Para isso basta uma folha de papel cartão na cor preta ou um papel preto qualquer que você encontrar em casa, peça a criança para dobrar o papel, você corta o formato de asa de morcego e o furo no meio permeando as duas partes do papel e pede para criança desdobrar e revelar né o Bat. Ao invés de elástico, um pauzinho de picolé e uma fita adesiva são suficientes para criar uma máscara de estilo veneziana. No final da sessão, sinalize para criança que por hoje é só, com um gesto e a frase That´s all for today. Em seguida, para que ela saiba que é hora de organizar o cantinho do inglês, você diz let’s tidy up. Aí você coloca alguma coisa de volta na caixa e incentiva a criança a fazer o mesmo até estar tudo arrumadinho. Se a criança ainda estiver animada, mesmo porque essa sessão pode ser bem curtinha dependendo da idade, eu sugiro um vídeo baseado no conto de Julia Donaldson que se chama Room on the broom – espaço na vassoura- que foi inclusive indicado ao Oscar. Ele dura uns 25 minutos e a primeira fala do narrador é : The witch had a cat and a very tall hat e assim seu filho começa a ver o vocabulário em contexto, o vocabulário que ele acabou de aprender. Tem um dragão no filme, tá? Então eu sugiro que você assista primeiro para saber se não vai assustar, OK?

Marcelo: Então, com essa dica: That´s all for today! Muito obrigado. Mais uma vez Roberta. Esse foi o nosso Episódio 4 do Very Young Learners podcast lembrando que toda segunda-feira estaremos trazendo um novo episódio. Se você tiver uma pergunta igual o Vinicius, ou um elogio como o da Isabela, pode entrar em contato por e-mail [email protected]  ou pelo nosso Instagram @projetovyl. Muito obrigado e abraços.

Roberta: Obrigada! Beijo!

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