Episódio 03 – Ensinando inglês para seus filhos usando Montessori

Neste episódio Marcelo Fernandes e Roberta Maldonado abordam o tema: Ensinando inglês para seus filhos usando Montessori. Falamos com mais detalhe sobre o método, as diferenças dos métodos tradicionais e porque é pouco utilizado. Além de um caso de uso na prática envolvendo inglês e Montessori. SIGA O PODCAST no INSTAGRAM : @projetovyl – EMAIL: [email protected]

Episódio 03 – Very Young Learners Podcast (transcrição)


[Marcelo]: Seja muito bem vindo, seja muito bem-vinda ao Very Young Learners podcast. Aqui vamos mostrar que é possível ensinar inglês em casa para crianças de até 6 anos de idade. Aqui é Marcelo Fernandes e junto comigo está Roberta Maldonado nossa Educadora Montessori.
No episódio anterior demos uma introdução sobre o método Montessori e quem foi Maria Montessori, se você perdeu, ouça o episódio anterior que está disponível em todas as plataformas de Podcast. Nesse Episódio vamos entrar com um pouco mais de detalhes sobre como funciona o método Montessori na prática.

Bem, inicio esse podcast com a pergunta: por que esse método é tão especial e o que diferencia do método tradicional.

[Roberta]: Olá! Tudo bem Marcelo? Oi gente, prazer estar aqui de novo, então Marcelo, o método Montessori assim como outros métodos chamados de alternativos. Tipo Waldorf Steiner, a Escola da Ponte são métodos que levam mais em consideração as necessidades do indivíduo, da criança, do que a do meio, ou seja enquanto no método tradicional a criança é educada para se adequar ao mercado de trabalho, a saber o que se espera dela, seguir o livro acompanhar turma, né? Todo mundo ali no mesmo ritmo, esses outros métodos eles se preocupam em incentivar um indivíduo a inovar, a criar e a satisfazer a sua própria curiosidade respeitando o seu ritmo, né? Isso tende a gerar crianças mais contentes, tá? Eu falo isso de experiência própria com maior capacidade de concentração, porque obviamente ela tá trabalhando em algo que a interessa de verdade e o mais importante ao meu ver, isso tende a criar autodidatas. Agora, numa era onde a gente já tem disponível na internet cursos a distância de qualquer tema, aplicativos para tudo quanto há, que você acha que vai ser mais útil para o seu filho ser criativo e autodidata ou ser o melhor da sala?

[Marcelo]: O método Montessori começou na Itália. Por que ele não deu certo lá?

[Roberta]: O método era muito famoso na Itália nos anos 20 e comecinho dos anos 30, na época o então primeiro-ministro Benito Mussolini apoiava as escolas montessorianas e até financiou treinamento para professores e equipamentos. Já eram mais de 100 escolas montessorianas na Itália nessa época, mas as coisas não demoraram muito para mudar, quando Maria Montessori se recusou a inserir atividades de cunho nacionalista e militar nas escolas, a relação com o líder fascista ficou muito difícil, aí em 1934 todas as escolas montessorianas na Itália foram fechadas pelo governo e Montessori se exilou na Espanha, dois anos mais tarde, Franco deu o golpe que começou a guerra civil na Espanha e ela também não era mais bem vinda ali, imagina um método que se intitula educação para paz, que dá as crianças a ideia de serem cidadãos do mundo, que é Laico, apesar de Montessori ter sido uma pessoa religiosa, mas que prega a igualdade e fraternidade entre os povos, não só entre as pessoas, entre os povos. Esses ditadores precisavam formar seus jovens para receber ordens, né, e não para questionar o fascismo ou seja se método ia de encontro aos governos da época em muitos países. Ficou difícil dele se popularizar, os governos que viam na guerra a única maneira de prosperar, não eram a favor do método montessoriano. A educação pela paz era tão evidente no método de Montessori que ela foi inclusive indicada ao Nobel da Paz duas vezes.

[Marcelo]: Mas então, se o método é bom mesmo, que a gente ouvi em todos os lugares que o método chega praticamente a perfeição, que é o melhor dos métodos que tem.

[Roberta]: Não, isso não, não existe isso, mas esses métodos alternativos, eu coloco, bom, eu conheço o Montessori. Mas do pouco que eu sei dos outros, como o Steiner por exemplo, eles seguem a mesma linha que é de dar ao indivíduo o poder de decisão, autonomia e isso é o que diferencia do tradicional que a criança, o professor é o centro, né? E a criança fica ali só recebendo, recebendo e recebendo.

[Marcelo]: Pois é, mas se ele é bom mesmo, porque que ele não é o padrão adotado no mundo todo em todos os colégios. Tem um motivo para isso?

[Roberta]: Olha Marcelo, ele é Popular. Tem muitas escolas espalhadas pelo mundo, mas como eu te disse, não é do interesse de muitos governos implementar esse tipo de escola e o principal motivo ainda acho que o preço, tá? Implementar um método em escolas exige muito treinamento, espaço e um kit extenso de atividades e materiais ou seja não é barato, uma escola montessoriana é sinônimo de escola particular e cara, infelizmente, porque a ideia inicial nunca foi essa. Agora para te dar um exemplo, na Holanda tem o maior índice de uso do método Montessori no mundo, hoje mais de 5% das crianças holandesas são educadas no método Montessori. Só em Amsterdam são 20 escolas montessorianas e todas públicas, não é esse o caso do Brasil, não é o caso da maioria dos países, agora, felizmente tem muitas outras maneiras de se beneficiar do método.

[Marcelo]: Mas os pais, eles podem implementar isso em casa? Principalmente nessa questão do ensino de outro idioma, do inglês, como que eles podem fazer isso?

[Roberta]: Isso é uma pergunta que a resposta é longa, mas eu vou tentar aqui do começo, tá? Dá para se beneficiar, e muito da filosofia montessoriana sem precisar mandar seu filho para uma dessas escolas. A filosofia que embasa as atividades também pode servir para ensinar seu filho uma porção de coisas em casa, inclusive inglês, respeitando e fomentando essa autonomia, essa curiosidade natural de toda criança. Por exemplo, eu vou dar aqui exemplos muito práticos na organização da casa que já tem muitos pais usando às vezes eles nem sabem que isso veio com a metodologia montessoriana. No quarto, muita gente já faz o quarto da criança no modelo Montessori aquele que a cama é baixinha, todos os objetos e as roupas ficam ao alcance dela, né? Que isso fomenta a independência e a alto-disciplina, muitas casas também tem mesinhas e cadeirinhas para que a criança possa se sentar e se levantar quando ela quiser, né, e por sinal foi o método Montessori que popularizou o uso de mobília adaptado ao tamanho da criança, viu gente, isso não tinha antes. Tem também esses banquinhos que permitem a criança alcançar a pia do banheiro e escovar os dentes, pelo menos uma dessas escovações do dia. Pode deixar a criança fazer, elas adoram e também esses banquinhos que a gente usa na pia da cozinha, que criança pode lavar o que ela usou, sabe e tem muitos pais que tem medo disso, né? Acha, mas ela não vai fazer direito, esse banquinho é arriscado, ô gente, isso tudo é supervisionado. Vocês vão ficar impressionados com a capacidade das crianças e talvez a primeira vez ela fica um pouco insegura, mas ela vai querer fazer, ela já deve tá pedindo para vocês, isso tudo é a partir dos 3 anos de idade. A criança quer cuidar dela mesmo, isso vem naturalmente, vem de fábrica, né? Então ainda tem essas vassourinhas com a pá, que aí ela mesma pode varrer, qualquer coisa que ela derrubar, né? Isso tudo já é possível a partir dos 3 anos, tá? E vai desenvolver não só a coordenação motora como o autocuidado no contexto de verdade, no contexto autêntico e isso para eles é maravilhoso, né? Esse processo é muito significativo para a autoestima da criança mesmo que não fique no padrão que você tá acostumado.

[Marcelo]: Mas então Roberta, mas e o inglês, onde que entra nessa história?

[Roberta]: Então, combinar Montessori e o ensino de inglês em casa também tem a ver com usar bem o espaço da sua casa. É importante que a criança, que vocês tenham o espaço da casa dedicado a aprendizagem do inglês, eu sugiro, escolha dois cantinhos da casa que não seja, que não tenha nunca sido usado como um cantinho do pensamento nada negativo, dois cantinhos numa sala ou no quarto da criança, lugares que não tem passagem de pessoas, não seja um corredor, que não tem uma televisão, que seja coberto, tá? Porque vão ficar aí o trabalhinhos e os pôsteres e tal, de preferência que não seja numa varanda, escolha esses dois lugares, chame a criança e peça para ela escolher um deles, tá? É importante que ela esteja envolvida desde o início na escolha do lugar, na preparação do lugar e tudo mais porque esse é o conceito de Montessori, independência, autonomia, liberdade, que a criança sinta imponderada mesmo. Muito bem, descobriu e encontrou os dois lugares, a criança escolheu, aí você já começou a explicar para ela: o papai ou a mamãe vai te ensinar inglês, agora, não sei quantas vezes na semana, você já fala, já fala o horário tá? Já vai informando a criança, que que você acha você gostaria vai te ensinar palavras, vamos jogar jogos, vamos aprender músicas, igual àquela musiquinha tal, né? A criança já teve algum contato, Baby Shark é em inglês e já faz essas conexões e motiva a criança a dar dicas a falar o que que ela gosta que não ela não gosta, já começa um diálogo aí, começa então a preparar esse cantinho, o The English Corner, eu sugiro que vocês façam uma lista de materiais que é uma coisa muito básica e esses materiais já vão ser, você já vai se referir a eles em inglês, então num pedaço de papel ou impresso, se você tiver impressora, tem os nomes, né? Pencil, rubber, paint. O que for, essas coisas básicas mesmo de papelaria, com uma figurinha, né? Com uma fotografia do que é, e você vai falar e se falar o que que tá faltando, aí ela mostra ou fala o quer. E você fala, ah! Pencil. Já vai associando, já vai fazendo esse método que a gente chama de sanduíche que é ainda traduzindo as coisas, mas sempre já colocando em inglês, muito bem, vai com a criança até uma papelaria, shopping ou até na gaveta mesmo da estante da casa e começa a coletar essas coisas, uma caixa de preferência grande, que vai ficar nesse cantinho com todas essas coisas dentro, tá? Imprima ou desenhe, mesmo em um papel em branco mesmo, The English Corner, tá? E peça para a criança colorir ou decorar esse papel, as crianças adoram e colem esse papel na parede no cantinho. Determinado o cantinho do inglês The English Corner onde vocês vão começar no próximo dia, tá? De preferência essa deve ser uma atividade que tome, de um dia só e que você não faça mais nada nesse dia, deixa aquela expectativa no ar. No dia seguinte já podem começar. No dia seguinte, vocês já podem ter a sua primeira lição. Eu vou sugerir aqui uma lição básica que mais adiante você vai poder usar com vários outros itens de vocabulário. Mas hoje nós vamos usar com cores se o seu filho tem 3 ou 4 anos, você pode começar só com duas cores. Se ele for mais velho ou se ele já tiver experiência com cores e já souber essas coisas, você pode começar com três. Não começa com mais de três não, que pode confundir. Pois bem, prepare esses três ou dois flashcards que são nada mais do que pedaço de papel colorido eu começaria com azul, Blue e Red que são curtos e que tem sons muito específicos, muito distintos um do outro, prepara esses dois e chama a criança. Não sei se eu citei, eu não citei, mas é muito importante ter no seu cantinho do inglês um tapetinho, pode ser um tapete de yoga ou pode ser um pedaço de pano mesmo que vai ser a sua superfície de apresentação sempre. A criança vai sentar de frente para você com as pernas cruzadas, todo mundo tranquilo, ela tá preparada para um jogo, você coloca o tapetinho, pega os cartões e um de cada vez você coloca na frente da criança sem falar nada além dessa frase: This is blue, this is red. Colocou os dois cartões, você repete This is blue, this is red. Mais uma vez você vai falar Blue, Red. Sempre apontando para cor a qual você tá se referindo, tá? Essa primeira etapa, a criança está associando o nome com a cor, tudo bem. A segunda etapa é o reconhecimento do objeto correspondente ao nome, aí a criança já vai participar, você vai perguntar para ela Can i have the blue, please e vai mostrar com a mão, tipo um gesto de me dê, sabe, mas sem falar em português, claro se a criança não entender de maneira nenhuma, você mostra com a mãozinha dela mesmo, pega a mãozinha dela, coloca em cima, pegando e te entregando elas entendem rapidinho, você vai ver. Você vai falar, Can i have the blue, please. Quando ela te entregar você coloca de volta, Can i have the red, please, ela vai te entregar e ai você vai colocar de volta, muito bem. O terceiro passo isso você só vai fazer se a criança já tiver bem confiante com as duas cores ou com as três cores, se for o caso é o seguinte, é a lembrança né do nome correspondente ao objeto. Você vai perguntar para criança. What’s this? E aí ela terá que responder, Blue ou Red, tá bom, dependendo da idade isso muda um pouquinho, mas no geral essa é o que a gente chama a lição de três tempos, que é básica na introdução de vocabulário na pedagogia montessoriana e já dá para você fazer amanhã.

[Marcelo]: Que pena que nosso tempo já acabou por hoje, porque senão o episódio fica um pouco longo, mas, Roberta, pode trazer para a gente nos próximos episódios mais dicas como essas, sim?

[Roberta]: A ideia é essa, sim, tem muitas.

[Marcelo]: Ok! Roberta muito obrigado mais uma vez pelas dicas. Muito obrigada a todos que cederam o tempo para nos escutar esse foi o Episódio 3 do Very Young Learners podcast, toda segunda-feira Roberta e eu estaremos trazendo um novo episódio para vocês se curtiu compartilhe com seus amigos. E se vocês quiserem também entrar em contato pode enviar um e-mail para [email protected] e também seguirmos no Instagram @projetovyl. Muito obrigado e abraços.

[Roberta]: Obrigada Marcelo. Obrigado gente.