Episódio 02 – O que é o Método Montessori

Neste episódio Marcelo Fernandes e Roberta Maldonado abordam o tema: Método Montessori e qual a sua relevância quando eu ensino inglês em casa para meus filhos. Quem foi Maria Montessori, como surgiu o método, famosos que passaram por colégios Montessori e finalmente como posso usar o método Montessori para ensinar inglês para meus filhos. INSTAGRAM: @projetovyl – EMAIL: [email protected]

Episódio 02- Very Young Learners Podcast (transcript)


[Marcelo] Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda ao Very Young Learners Podcast. Aqui vamos mostrar como é possível ensinar inglês em casa para crianças de até seis anos de idade. Aqui é Marcelo Fernandes, host do Very Young Learners podcast e junto comigo, como sempre, Roberta Maldonado, co-host deste podcast.

No episódio anterior falamos “se eu posso ensinar inglês para os meus filhos. Se você perdeu, ouça o episódio anterior que está disponível em todas as plataformas de podcast.

Neste episódio vamos falar sobre o método Montessori e qual a sua relevância quando eu ensino inglês em casa para os meus filhos pequenos.

(música) …é Roberta, te conheço há alguns anos e sempre quando eu vejo você falar sobre o método Montessori vejo um brilho em seus olhos. Explica pra gente: quem foi Maria Montessori e porque ela foi uma mulher tão especial?

[Roberta] Olá Marcelo! Olha, eu considero Maria Montessori uma das pessoas mais notáveis de todos os tempos não só pela persistência que ela demonstrou invadindo espaços até então inimagináveis pra uma mulher como pela mudança profunda que ela propôs na maneira de ver a criança. E tudo isso graças a sua observação e experimentação sistemáticas, ela era uma cientista.

Imagina só: essa mulher afirmou, 130 anos atrás, que a criança não é uma tela em branco. Se ela vivesse no nosso século eu acho que ela explicaria assim: o HD das crianças já vem programado de fábrica para explorar o ambiente, para aprender a se comunicar e para ser independente e, ela ainda falou que o papel dos adultos é preparar esse ambiente e dirigir a criança, e não ensinar. Ou seja, nós adultos temos a responsabilidade de sermos exemplos de comportamento, de prepararmos o ambiente com atividades e elementos que elas possam manusear e explorar e de demonstrar como fazer isso, como usar esses instrumentos para a criança, e também temos a responsabilidade de acolher a criança nos momentos difíceis e no dia-a-dia, claro. Resumindo: o papel do adulto é dirigir a cena e não de atuar. E isso ela disse há 130 anos atrás!

Agora sobre a trajetória dessa mulher: nasceu em 1870, no interior da Itália, família de classe média alta, Fez um curso técnico em engenharia, num colégio para meninos, decide que queria ser médica e, contra a vontade do pai, se candidatou ao curso de medicina na universidade de Roma. Ela não foi aceita, aparentemente por ser mulher, e aí escreveu uma carta ao Papa da época, Leão 13o, e o papa intercedeu por ela, mandou uma carta pra Universidade de Roma e o resultado é que ela foi aceita e 6 anos mais tarde, se formou, em 1896 -só para te situar, e se formou com distinção e se tornou a primeira mulher, a primeira médica italiana.

Agora onde entra o método montessoriano: Médica? Como assim? Imediatamente ela começa a trabalhar no Hospital Universitário, na clínica psiquiátrica infantil. Ali ela se compadece das crianças diagnosticadas com problemas mentais e começa a observá-las. Um momento chave que ela cita no seu memoir é quando, logo nos primeiros dias, uma funcionária conta para ela, indignada, que as crianças catavam migalhas que caíam do almoço. Aí Montessori olhou ao redor e se deu conta de que essas

crianças não tinham nada para brincar para ou manipular, talvez por segurança. Daí surgiu seu primeiro estudo, que causou muita polêmica quando foi apresentado num congresso médico em Turim . Ela afirmou que a falta de estímulo sensorial estava piorando o estado das crianças em tratamento.

Pra chegar a essa conclusão, Montessori estudou a fundo o trabalho de dois franceses, Jean-Marc Itard e do Édouard Séguin (desculpe a pronúncia, não sei se é essa). Esses dois defendiam que crianças com deficiência intelectual, que até então consideradas incuráveis, poderiam sim aprender e ser independentes. Séguin desenvolveu vários aparatos e atividades, que a gente hoje em dia chama de brinquedos pedagógicos, que eram todos multissensoriais, e que foram mais tarde incorporados ao método montessoriano.

E imagine por que?

A carreira de Maria Montessori aí deu um salto: ela usou os aparatos de Séguin para trabalhar com as crianças na clínica. Em dois anos o progresso das crianças foi tão evidente que algumas foram submetidas aos exames estaduais ao que eram submetidas todas as crianças ditas normais e algumas crianças da clínica alcançaram os mesmos resultados das crianças das escolas italianas.

[Marcelo] e esses aparatos, o que eram? Eram brinquedos?

Eram como brinquedos que até hoje a gente utiliza nas salas de aula montessoriana. Eles ficam espalhados na sala e a criança escolhe o que lhe interessa…e a professora- que a gente não chama de professora na sala de aula montessoriana, a gente chama de diretora- ela demonstra pra criança, uma vez que a criança queira essa ajuda, permite, você pede permissão, pergunta “posso te mostrar?” a criança diz “Sim” aí você demonstra, com economia de movimentos e uma coisa de cada vez para que a criança possa brincar. E outra coisa: todas essas atividades tem controle de erro. O que isso quer dizer?

Quando a criança não acerta ela sabe que ela não acertou. Não precisa ninguém falar para ela “Ah, tá errado!” Mas isso aí a gente pode discutir mais a fundo porque eu fico muito encantada com essa história de Montessori…já reparou, né?

Mas, enfim, depois desse resultado nos exames estaduais Maria Montessori ficou muito famosa e veio gente do mundo todo ver o que estava acontecendo ali naquela clínica- ela tinha na verdade começado uma escola para aquelas crianças. Ela percebeu…ela imaginou: se eu tive esses resultados com essas atividades com crianças com deficiência intelectual, imagina se eu uso essas atividades, adapto essas atividades para as crianças, de forma geral? Que resultados, que benefícios elas não poderiam ter? E foi isso que ela fez.

Ela voltou pra Universidade primeiro, dessa vez pra estudar educação, começou a desenvolver seu método e, em 1907 abriu a primeira Casa del Bambini, no subúrbio de Roma. Ali passa horas e horas observando (ela era uma cientista extremamente rígida) ela passa horas observando essas crianças e experimentando com as novas atividades e um ano mais tarde – tudo aconteceu muito rápido – já haviam 5 Casas del Bambini abertas na Itália, 4 em Roma e 1 em Milão e o progresso das crianças era tão absurdo que ela foi ficando mais e mais famosa.

As crianças começavam a ler com 5 anos, não que isso seja ideal e a gente pode discutir isso mais

adiante- mas era uma coisa que não se via antes. E o mais interessante, que os observadores sempre mencionavam: eles nunca tinham visto crianças mais felizes. As crianças estavam muito a vontade, elas faziam o que elas queriam e nem por isso havia indisciplina, havia nada disso. Isso era muito novo…imagina: 1907.

Seu primeiro livro sobre o método é lançado m 1912, atinge o segundo mais vendido nos Estados Unidos e é traduzido pra 20 idiomas. Foi assim que tudo começou.

[Marcelo] Eu estava pesquisando sobre o método Montessori pra gente fazer esse podcast hoje e eu fiquei espantado com… os maiores nomes da atualidade hoje, principalmente falando de tecnologia, eles passaram, em algum momento de sua vida por uma escola montessoriana. A gente pode citar alguns aqui: Larry Page e Sergey Brin, que são cofundadores do Google; Jeff Bezos, Fundador da Amazon, Mark Zuckerberg, Bill Gates, Jimmy Wales, para quem não conhece é um dos fundadores da Wikipédia, Peter Drucker, que foi o pai da administração moderna, Katharine Graham, que foi a fundadora e editora do The Washington Post, Gabriel Garcia Márquez, escritor e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, o príncipe William e o príncipe Harry passaram também por escolas montessorianas, Beyoncé, que não precisa nem falar… então você tem gente de vários segmentos que passaram e pessoas de sucesso.

Estamos falando somente de 10, mas existem muitos outros… Essas pessoas se vangloriam de ter estudado em escolas montessorianas…que isso fez muito bem pra elas.

Uma curiosidade, eu creio que muita gente aqui é da época do jogo Sim City, o Will Wright, que é o designer criador do jogo, criou o jogo baseado em técnicas montessorianas. Então uma curiosidade que eu tenho certeza muita gente não sabe é que Sim City é um jogo montessoriano….bem interessante!

Eu tenho amigos pais e mães, não digo nem um nem dois, dezenas dessas pessoas, que falam que tem medo de colocar os filhos em escolas montessorianas. Principalmente pelo fato que acham que a escola montessoriana não direciona a criança para a carreira de…Ah, precisa passar na faculdade” …e tem medo pelo simples fato disso…que as crianças, elas ficam soltas… entre aspas.

Elas ficam soltas, elas são ensinadas soltas. Nós culturalmente ainda temos esse conceito que uma pessoa só se dá bem, só vai fazer faculdade… faz mestrado, doutorado e vai trabalhar em uma multinacional pro resto da vida…se ela tem uma educação rígida, baseada em conhecimento: você tem um livro, você vai estudar, você tem um professor que é o centro das atenções…Então, depois disso tudo aqui dito, eu pergunto: essas pessoas tem razão de ter esse medo?

[Roberta] Olha Marcelo, eu acho que essas pessoas tem sim razão de ter medo. Não porque o método montessoriano não seja comprovadamente um método eficaz para criar autodidatas- você mencionou vários aí, são pessoas “fora da caixinha “e a ideia é essa mesmo: desenvolver o potencial de cada um como indivíduo e não criar uma massa de trabalhadores; mas é natural que as pessoas tenham medo e, tem uma razão ainda mais séria, talvez elas não saibam: as escolas montessorianas podem se considerar, se denominar montessorianas porque a marca Montessori não foi registrada pela Maria Montessori.

Então, se eu abro uma escola, do jeito que eu quiser fazer eu faço e coloco o nome de Montessori

e não existe um órgão fiscalizador pra isso. Então eu entendo perfeitamente, os pais são as pessoas que mais se preocupam com o futuro da criança…tudo que eles fazem tem as melhores intenções possíveis, e é natural, sim, ter medo. Sair de um colégio tradicional, que você já sabe que aprova muito pra um colégio Stainer, ou Montessori…dessas metodologias alternativas. Agora é muito importante lembrar que não é só futuro. Se você está pensando em trocar o seu filho de colégio, alguma coisa não está legal. Ou não está conveniente ou a criança não está feliz, não está aproveitando. Tem que haver um diálogo muito sério, constante, inclusive, com a diretora, com os professores…pais e educadores bem juntinhos aí pra discutir o futuro da criança e pensar que não é só futuro: se a criança não estiver bem agora, não estiver aproveitando, não estiver feliz, não estiver com vontade de descobrir as coisas, é porque aquela instituição talvez não esteja funcionando para ela. Mas isso aí é de cada um mesmo, e os pais tem razão de ter medo…claro!

[Marcelo] E agora, o mais importante, que é o objetivo desse podcast, como eu posso aplicar o método montessoriano para ensinar inglês em casa?

[Roberta] Essa pergunta me leva ao motivo de eu estar aqui hoje, gravando esse podcast com você. Eu sou professora de inglês, há muitos anos, e sou professora montessoriana. Eu fiz um curso de pedagogia montessoriana em Londres e, logo em seguida, um mestrado de ensino de inglês para estrangeiros. Eu queria combinar essas duas coisas. Quando eu cheguei ao Brasil, eu fui trabalhar numa escola muito bacana em Belo Horizonte, uma escola de inglês, e eles já tinham tudo organizado: os livros que eles usam com as crianças de 3 a 6 anos, as salas todas equipadas e eu falei “Nossa, que maravilha! Esse é o ambiente ideal para eu experimentar, sem sair do que eles esperavam, mas experimentar com a minha filosofia montessoriana. E foi um fracasso! E sabe por que? Na escola montessoriana você fica com a criança ali 6 horas por dia, de 4 a 6 horas por dia, ela fica a vontade para escolher as atividades que ela quer, você está disponível, como eu já te disse: você é um facilitador…e na aula de inglês o professor é o centro das atenções porque são várias crianças, você está sozinho na sala…Então você tem um curriculum que você tem que seguir, os planos de aula já estão praticamente prontos …então eu fiquei um pouco frustrada.

Tem uma coisa em Montessori que é muito importante que é a autodisciplina. A criança ela não precisa ser nem castigada…olha, veja bem que isso é bem polêmico, tá?! Mas é simples, na verdade. Se desde novinha lhe é dada essa liberdade, a criança ela se autodisciplina. Então você não precisa dar adesivo no final da aula, porque ela foi bem, você não precisa ficar elogiando constantemente o trabalhinho dela porque ela já fica satisfeita com o que ela fez, sabe? Então tem esse lado. E nas escolas de inglês, imagino que na maioria delas, inclusive aqui em Madrid também é assim, tem essa coisa de todos os dias “ Ah você se comportou bem, ganha uma estrelinha- “Ah você se comportou mal, fica ali no cantinho do pensamento, esse tipo de coisa.

Isso não funcionava pra mim, mas as crianças, elas já vinham meio que esperando esse tipo de comportamento do professor, entende? Então eu me adaptei, com muito carinho e com a ajuda da minha coordenadora, eu abri mão da metodologia montessoriana… ela está em mim então o respeito pelo indivíduo e a observação de cada um, tentar adaptar as aulas pra cada um…. isso nunca saiu de mim. Mas eu entrei no método da escola. E funcionou, as crianças aprendem. As escolas fazem o que podem mesmo para que naquele pouco tempo que elas têm o convívio com as crianças, elas possam passar o máximo de vocabulário, de expressões, de brincadeiras…foi aí que eu vi que em casa a coisa poderia funcionar melhor ainda, sabe? Porque em casa você pode

utilizar a filosofia montessoriana pra ensinar inglês e a coisa pode fluir muito melhor. Você não tem tempo determinado. É interessante pré-determinar um tempo para fazer as sessões em inglês, mas aquilo segue. A criança, uma hora ou outra ela vai te perguntar alguma coisa de novo, ela vai te chamar pra brincar daquele jogo. E não tem nada que diga que você não possa fazê-lo.

Vocês estão muito mais livres…vocês criaram um ambiente ali na sua casa de contínuo aprendizado…o que a gente não tem numa academia de inglês. E é por isso que a metodologia, mais especificamente a filosofia montessoriana no ensino do inglês pra criança de até 6 anos em casa é perfeito! É um casamento perfeito!

[Marcelo] Muito obrigado mais uma vez Roberta,

[Roberta] Obrigada você

Marcelo Esse foi o nosso episódio 02 do Very young learners Podcast. Reforçando, toda segunda feira, Roberta e eu estaremos trazendo um novo episódio para vocês. Se vocês quiserem entrar em contato, podem enviar um e-mail para [email protected] e, uma novidade agora, temos o nosso instagram que é @projetovyl. Então siga em nossa rede social. Esse podcast está disponibilizado em todas as principais plataformas de podcast Abraços e até mais!

[Roberta] até mais!