Usar atividades de corpo e movimento na educação infantil

Usar atividades de corpo e movimento na educação infantil

Usar atividades de corpo e movimento na educação infantil em inglês não é novo. As crianças se divertem, gastam energia e o tempo passa mais rápido. Tem até quem diga que elas aprendem muito mais, seja o conteúdo que for, através de atividades assim. Mas será?

Nos meus primeiros anos de carreira, em alguns cursos e reuniões de professores, me sugeriram intercalar atividades com movimentos com atividades sem movimento para que as crianças não ficassem muito agitadas. Eu até tentei mas, na minha experiência, isso nunca funcionou.

Sabe por que? Porque todas as atividades, com exceção de um filminho vez ou outra, envolvem movimento. E, ao contrário do que me disseram, atividades com movimento ajudam meus alunos a se concentrarem melhor.

Por que usar atividades com movimento nas sessões em inglês?

Movimento é tudo o que não é inércia. Uma aula expositiva é o oposto de uma sessão em inglês com movimento. Assistir filminho ou desenho animado é o oposto de uma sessão em inglês com movimento.

Aliás, sessão em inglês com atividades de corpo e movimento é uma redundância: para ser uma sessão de educação infantil em inglês as crianças precisam estar com a mão na massa. Como todo bom montessoriano, eu sempre falei isso e vou seguir repetindo: criança só aprende fazendo e experimentando. Explicação demais entra por um ouvido e sai pelo outro… não por culpa dela, mas por falta de maturidade mesmo.

Eu acredito que a intenção de quem fala sobre alternar atividades com e sem movimento é boa, e que acreditam que o vilão não é o movimento, mas a empolgação. Ao meu ver, não existe vilão nessa história: criança empolgada é regra quando se trata de jogo que envolva bola, saltos, desafios e outras crianças. O problema é que, na maioria das instituições educacionais, os professores tem medo de perder o controle (ou de parecer que perderam). Muito barulho não é bom sinal…

Ok! Então o que queremos? Crianças concentradas. Como assim? Aparentemente, o oposto de criança agitada é criança concentrada. Sim, faz sentido…, mas aí eu te pergunto: você já viu criança pequena concentrada sem estar usando as mãos? Já viu uma criança tentando colocar uma linha na agulha? Água em um copo? E isso é inércia ou movimento?

Uma ótima definição para concentração é: mente e corpo a serviço de um mesmo objetivo. E o grande desafio da criança na primeira infância é desenvolver o controle dos seus movimentos! Daí o esforço para dominar seus músculos, as inúmeras repetições de um mesmo movimento, a insistência em tarefas que, para o adulto, parecem insignificantes. Eles trabalham incessantemente e instintivamente para desenvolver a coordenação motora grossa e a fina.

Para deixar claro, a diferença entre coordenação motora grossa e fina é a seguinte: as atividades que envolvem grandes grupos musculares como pernas e braços simultaneamente e deslocamento (correr, andar, saltar, dançar) desenvolvem a coordenação motora grossa. Já atividades que usam mãos e dedos e envolvem movimentos de pequena amplitude como colorir, cortar e pintar desenvolvem (e exigem) habilidades motoras finas.

A diferença entre a atividade que aparentemente apenas agita e a atividade que estimula a concentração é o tipo de coordenação motora empregada. Ambas têm sua função e desenvolver os dois tipos de coordenação é imperativo para que a criança alcance sua autonomia. E adivinha? Elas já vêm programadas para fazer tudo o que tiverem ao seu alcance para se virarem sozinhas: se alimentarem sozinhas, chegarem onde quer que seja, se vestir sozinhas. Ou seja: dominar seus movimentos é o principal foco delas.

Para isso as crianças também precisam desenvolver os sentidos.

Os sentidos, diferentemente do que se diz por aí, são muitos. Os cinco sentidos aristotelianos, visão, audição, tato, olfato e paladar, são só uma forma simbólica de descrever as nossas formas de absorver e compreender o mundo. Os sentidos são mais de vinte, divididos em sistemas sensoriais. São eles

  1. O sistema tátil, responsável pela percepção da dor, temperatura, pressão, texturas, tamanhos e formas. Essas sensações são lidas através das terminações nervosas da pele e interpretadas no cérebro.
  2. O sistema visual, que detecta e interpreta luz e imagens e leva a informação ao cérebro.
  3. O sistema gustativo, responsável por reconhecer o sabor de substâncias colocadas sobre a língua através de papilas gustativas.
  4. O sistema olfativo, que capta e reconhece odores.
  5. O sistema auditivo, que reconhece, discrimina e processa os sons do ambiente.
  6. O sistema proprioceptivo, que é o sistema sensorial que nos permite perceber onde estamos, a força exercida pelos nossos músculos, a posição de cada parte do corpo em relação às demais e a orientação do nosso corpo no espaço.
  7. O sistema vestibular, o sistema responsável pelo nosso equilíbrio. Graças a um líquido no nosso labirinto, no ouvido interno, podemos perceber alterações gravitacionais, movimentação e deslocamento do corpo. É graças a esse sistema que sabemos quando estamos de pé ou deitados e nosso cérebro nos manda relaxar ou ficar em alerta.

Imagine só: a criança ainda está desenvolvendo todos esses sentidos, pela primeira vez tem a capacidade de experimentar com a gravidade, com texturas, com o som de sua própria voz e PRECISA do nosso apoio para realizar esses experimentos através de brincadeiras que envolvam o corpo como um todo!

Nas sessões em inglês recomendo variar, e muito, do tradicional método “listen and repeat”. Recomendo usar realia, experimentar com gostos e odores, demonstrar as ações falando, para que a criança possa associar ação e palavras. Elas poderão então copiar suas ações para, no futuro, usar as palavras de forma contextualizada e espontânea.

Quando nós, educadores, entendermos isso, ficará muito mais fácil planejar sessões que agradem e que agreguem.

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